terça-feira, 25 de março de 2014

Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria

Hoje 25 de Março de 2014, cumpriram-se os 30 anos da Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, realizada na praça de S. Pedro, no Vaticano, diante da Imagem de Nossa Senhora de Fátima levada da Capelinha das Aparições a pedido do Papa João Paulo II.
Recordemos,:

A Consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, teve lugar na praça de S. Pedro, no Vaticano, em 25 de Março de 1984. 
Para esse efeito, o Papa João Paulo II pediu a presença da Imagem de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições.
Diante da Imagem, o Papa repetiu o Acto de Entrega que havia feito em Fátima em 13 de Maio de 1982.


A 1 de Abril de 1984, na edição semanal em Português do jornal do Vaticano "L´Osservatore Romano" é feito o relato da presença da Imagem no Vaticano:
A Imagem chegou ao Vaticano, directamente da Capelinha das Aparições, no dia 24 de Março, levada por D. Alberto Cosme do Amaral, Bispo de Leiria. À chegada foi acolhida no Pátio de S. Dâmaso e, logo depois, levada em procissão até à Capela Paulina, no Palácio Apostólico, onde permaneceu até às 21h00, e onde recebeu a homenagem de muitos fiéis.
Às 21h00 foi levada para a Capela dos aposentos pontifícios.
Na manhã seguinte, a celebração do Jubileu para as famílias, iniciou  com a entrada processional de Nossa Senhora de Fátima na Praça de S. Pedro.

Após a saudação do Papa aos peregrinos, e após a liturgia da Palavra foi feita a homilia e, ao termino da cerimónia, à hora do "Angelus", João Paulo II recitou junto da Imagem o Acto de Entrega do mundo e dos Povos.
De seguida, o Acto de Entrega a Nossa Senhora:  

Acto de Entrega – 25 de Março de 1984

A família é o coração da Igreja. Eleve-se hoje deste coração um acto de particular entrega ao Coração da Mãe de Deus. No Ano Jubilar da Redenção queremos confessar que o Amor é maior que o pecado e que todos os males que ameaçam o homem e o mundo.
Com humildade invocamos este Amor:

1. “À vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus”!
Ao pronunciar estas palavras da antífona com que a Igreja de Cristo reza há séculos, encontramo-nos hoje diante de Vós, ó Mãe, no Ano Jubilar da nossa Redenção.
Estamos aqui unidos com todos os pastores da Igreja por um vínculo particular, pelo qual constituímos um corpo e um colégio, do mesmo modo que os Apóstolos, por vontade de Cristo, constituíram um corpo e um colégio com Pedro.
No vínculo desta unidade, pronunciamos as palavras do presente Acto, no qual desejamos incluir, uma vez mais, as esperanças e as angústias da Igreja pelo mundo contemporâneo.
Há quarenta anos atrás, e depois ainda passados dez anos, o Vosso servo o Papa Pio XII, tendo diante dos olhos as dolorosas experiências da família humana, confiou e consagrou ao Vosso Coração Imaculado todo o mundo e especialmente os Povos que, pela situação em que se encontram, são particular objecto do Vosso amor e da Vossa solicitude.
É este mundo dos homens e das nações que nós temos diante dos olhos também hoje: o mundo do Segundo Milénio que está prestes a terminar, o mundo contemporâneo, o nosso mundo!
A Igreja, lembrada das palavras do Senhor: “Ide… e ensinai todas as nações… Eis que eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt. 28, 19-20), reavivou, no Concilio Vaticano Segundo, a consciência da sua missão neste mundo.
Por isso, ó Mãe dos Homens e dos povos, Vós que conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o nosso mundo contemporâneo, acolhei o nosso clamor que, movidos pelo Espírito Santo, elevamos directamente ao Vosso Coração; e abraçai, com o amor da Mãe e da Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Vos confiamos e consagramos, cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos.
De modo especial Vos entregamos e consagramos aqueles homens e aquelas nações, que desta entrega e desta consagração têm particularmente necessidade.
“À Vossa protecção nos acolhemos Santa Mãe de Deus!” Não desprezeis as nossas súplicas que a vós elevamos, nós que estamos em provação!

2. Encontrando-nos hoje diante de Vós, Mãe de Cristo, diante do Vosso Coração Imaculado, desejamos, juntamente com toda a Igreja, unir-nos com a consagração que, por nosso amor, o Vosso Filho fez de Si mesmo ao Pai: “Por eles eu consagro-me a Mim mesmo – foram as suas palavras – para eles serem também consagrados na verdade (Jo. 17,19).
Queremos unir-nos ao nosso Redentor, nesta consagração pelo mundo e pelos homens, a qual, no seu Coração divino, tem o poder de alcançar o perdão e de conseguir a reparação.
A força desta consagração permanece por todos os tempos e abrange todos os homens, os povos e as nações; e supera todo o mal, que o espírito das trevas é capaz de despertar no coração do homem e na sua história, e que, de facto, despertou nos nossos tempos.
Oh! quão profundamente sentimos a necessidade de consagração, pela humanidade e pelo mundo: pelo nosso mundo contemporâneo, em união com o próprio Cristo! Na realidade, a obra redentora de Cristo deve ser pelo mundo participada por meio da Igreja. 
Manifesta-o o presente Acto da Redenção; o Jubileu extraordinário de toda a Igreja.
Sede bendita, neste Ano Santo, acima de todas as criaturas, Vós, Serva do Senhor, que obedecestes da maneira mais plena ao chamamento divino!
Sede louvada, Vós que estais inteiramente unida à consagração redentora do Vosso Filho!
Mãe da Igreja! Iluminai o Povo de Deus nos caminhos da fé, da esperança e da caridade! Iluminai de modo especial os povos dos quais esperais a nossa consagração e a nossa entrega. Ajudai-nos a viver na verdade da consagração de Cristo pela inteira família humana do mundo contemporâneo.

3. Confiando-Vos, ó Mãe, o mundo, todos os homens e todos os povos, nós vos confiamos também a própria consagração do mundo, depositando-a no Vosso Coração materno.
Oh, Coração Imaculado! Ajudai-nos a vencer a ameaça do mal que tão facilmente se enraíza nos corações dos homens de hoje e que, nos seus efeitos incomensuráveis, pesa já sobre a nossa época e parece fechar os caminhos do futuro! 
Da fome e da guerra livrai-nos! 
Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável e de toda a espécie de guerra, livrai-nos! 
Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, livrai-nos!
Do ódio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, livrai-nos!
De todo o género de injustiças na vida social, nacional e internacional, livrai-nos!
Da  facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos!
Da tentativa de ofuscar nos corações humanos a própria verdade de Deus, livrai-nos!
Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos!
Dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos, livrai-nos!
Acolhei, ó Mãe de Cristo, este clamor carregado de sofrimento de todos os homens!
Carregado do sofrimento de sociedades inteiras!
Ajudai-nos com a força do Espírito Santo a vencer todos os pecados: o pecado do homem  e o "pecado do mundo", enfim, o pecado em todas as suas manifestações.
Que se revele, uma vez mais, na história do mundo a infinita potência salvífica da Redenção: a força infinita do Amor Misericordioso!    Que ele detenha o mal! Que ele transforme as consciências! Que se manifeste para todos, no Vosso Coração Imaculado, a luz da Esperança!

Recorda ainda a mesma publicação oficial que, na tarde desse Domingo 25 de Março, o Santo Padre João Paulo II, antes de se dirigir à Sala Paulo VI para se encontrar com as famílias, desceu à Basílica de S. Pedro para prestar as suas homenagens a Nossa Senhora, antes de a Imagem ser levada para a Basílica de São João de Latrão, onde permaneceria toda a noite em uma vigília de oração promovida pelos movimentos marianos de Roma.

João Paulo II, após uns momentos de prece diante de Nossa Senhora, dirigiu-se aos fiéis ali presentes e teceu palavras de agradecimento a Nossa Senhora pela visita, agradecimento que estendeu a D. Alberto Cosme do Amaral por ter levado a Imagem, recordou todos os passos da Imagem durante os dois dias e concedeu uma bênção a todos os que ali se encontravam e à Igreja inteira de Roma.

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